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Venda de remédios para ansiedade e insônia no ES dispara na pandemia

Ansiedade e insônia – O impacto da Covid-19 na saúde da população está muito além das complicações respiratórias. Muitas pessoas, mesmo sem terem sido infectadas pelo coronavírus, são afetadas pela doença de outras maneiras. Um dos indicadores pode ser observado no balcão das farmácias que, no Espírito Santo, registraram um aumento da ordem de 30% na venda de medicamentos para insônia, ansiedade e depressão durante a pandemia.

Os dados são do Sindicato do Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos do Espírito Santo (Sincofaes) até o mês de agosto e, embora o Estado apresente, atualmente, um quadro de estabilização da Covid-19, o consumo dos ansiolíticos e antidepressivos permanece alto.

A farmacêutica Raigna Vasconcellos, proprietária da Alquimia, confirma que o crescimento na demanda é bastante perceptível, de fitoterápicos a remédios de uso controlado para os quais o paciente precisa apresentar receita médica especial.

“Tenho vários medicamentos nessa categoria e, na minha rede, o aumento é bem representativo. Tem sido progressivo, mês a mês, e agora vamos avaliar como setembro vai se comportar”, pontua.

Raigna Vasconcelos conta que, entre os clientes, os principais comentários relacionados ao uso dos medicamentos demonstram preocupação com a saúde e também com as finanças, considerando que muitas pessoas perderam emprego e renda durante a pandemia.

Alguns consumidores chegam às unidades da farmácia, afirma Raigna, pedindo indicação de produtos, mas a farmacêutica ressalta que, mesmo com os fitoterápicos, o recomendado é que haja prescrição.

“Para o remédio ter um bom efeito, o paciente precisa passar por uma boa avaliação. Ainda mais que fatores psicológicos nunca são resultado de uma coisa apenas. É preciso um olhar profissional e a automedicação não vai resolver. Nosso trabalho é orientar”, explica Raigna Vasconcelos.

ANGÚSTIA

Membro do Conselho Regional de Psicologia do Espírito Santo (CRP/ES), o psicólogo Pedro Henrique de Oliveira Carvalho observa que a pandemia é uma situação excepcional e sobre a qual não se tem controle. Esse contexto cria uma angústia, como resultado natural pelo estranhamento do momento, e também pelo isolamento social imposto para prevenção da doença, mas que, por consequência, destoa de uma necessidade inata de convivência já que somos seres sociais.

“O risco de contaminação, aliado ao isolamento, e as implicações socioeconômicas que decorrem disso também, tudo intensifica muito os quadros de ansiedade, depressão e outras psicopatologias preexistentes. Muitas pessoas que não estavam em acompanhamento, buscaram atendimento depois da pandemia porque, de algum modo, a situação ficou insustentável”, descreve Pedro Henrique.

O psicólogo destaca que, quando dois sentimentos naturais – medo e tristeza – são intensificados, é importante que a pessoa passe por uma avaliação com um profissional capacitado, que irá indicar a melhor conduta, podendo ou não ser medicamentosa. “A maioria dos casos que atendo de saúde mental não tem uso de remédio. No país, vivemos uma cultura de medicalização que precisa ser um pouco desconstruída”, opina.

Para Pedro Henrique é importante que as pessoas que se encontram nessa condição busquem, além de orientação profissional, adotar estratégias de autocuidado, como a realização de atividades físicas e de lazer. Mesmo com a necessidade de ainda se manter o distanciamento social, o psicólogo argumenta que é possível conciliar a prevenção à Covid-19 e dar atenção à saúde mental, desde que as práticas não sejam desenvolvidas em pontos de aglomeração. Procurar uma rede de apoio com amigos e familiares também é fundamental.

“A pandemia é uma situação que exige, de todos nós, um esforço e dedicação de cuidado consigo mesmo e com o outro. Essa crise pode servir, no final das contas, como uma oportunidade de nos organizar como uma sociedade mais saudável. Somos muito tutelados pela rotina, fazendo tudo no automático e, no contexto em que estamos, nos deparamos com a necessidade de pensar a vida, os objetivos, nossos sonhos, como queremos cuidar do outro, das nossas relações familiares, da nossa saúde mental ”

A psicanalista Renata Conde Vescovi também ressalta que a pandemia foi um gatilho para as manifestações de ansiedade, depressão e insônia em uma parcela da população que já tinha essa condição, embora “adormecida.”

“Muitas pessoas estavam postergando uma situação difícil na sua vida pessoal, profissional e, de repente, se viram de cara com a morte, se angustiaram e decidiram se tratar. A depressão e a ansiedade já estão em larga escala na sociedade, mas o que a pandemia fez foi despertar muitos da letargia em que se encontravam”, avalia.

Na opinião de Renata Vescovi é inegável a tragédia por trás da Covid-19, porém, de certo modo, está contribuindo para que muitos que estavam em sofrimento silencioso resolvessem buscar ajuda.

“Diante de uma catástrofe, é preciso também extrair alguns ensinamentos. Muitos preferem ficar em sofrimentos a se lançar numa perspectiva de vida nova. Por isso eu digo que a experiência com a Covid foi um catalisador para essas mudanças,” pondera.

O negacionismo de algumas pessoas perante a gravidade da Covid-19, afirma Renata Vescovi, também pode ser sinal de um desequilíbrio na saúde mental. “O sujeito que se coloca em situação de risco é também uma tentativa de negar essa angústia, é uma posição reativa. Precisamos lembrar que a depressão não é só o quadro clássico de apatia e inércia; tem a depressão de fundo em que a pessoa reage ou se defende daquele sofrimento hiperativamente, negando os fatos e o peso daquela dor. Espero que as pessoas possam atravessar a pandemia e tirar algum ensinamento, ainda que eu reconheça que a tendência seja a de negar tudo o que tem provocado,” conclui a psicanalista.

Fonte: Gazeta Online ES

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